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Uma parte pelo todo

david | 06/11/2008 - 11:58

Muitas pessoas lêem livros simplesmente por serem fãs do autor. "Não importa a história, sendo do fulano já vale a pena", é o que escuto… Quando o assunto é cinema normalmente o critério é a direção da obra. Eu mesmo tenho essas manias e certezas de qualidade, julgando sensacional algo que ainda nem vi, simplesmente por um sentimento de confiança em certos autores. É fato que essa linha subconsciente de pensamento, que nos faz julgar uma parte pelo todo, vai nos fazer quebrar a cara. Vide "O Planeta dos Macacos" do Tim Burton. Mas se tem um cara em quem eu confio, mais do que qualquer diretor ou escritor de livros, esse cidadão é um roteirista chamado Charlie Kaufman.

Charles Stuart Kaufman é um maluco de 50 anos que, em minha nada humilde opinião, escreve os melhores roteiros que Hollywood já viu. Não vou me alongar muito para falar dele, googlem esse nome , pois tem um milhão de sites que podem fazer isso melhor do que eu. Digo apenas que devia ser currículo escolar assistir aos filmes que o Kaufman escreveu. Pode parecer exagero, mas se você gosta de uma boa, esperta e divertida reflexão sobre a natureza humana, sobre a maneira que enxergamos a nós e ao mundo, o modo como criamos, amamos, lembramos, esquecemos, desejamos ou simplesmente vivemos, você precisa dos filmes desse cara. É bizarro como ele parece brincar com todo tipo de metalinguagem que pode existir ao escrever uma história. Até hoje não saí de nenhum filme escrito por ele sem a legítima sensação de satisfação e dinheiro muito bem gasto.

Pra quem não conhece, eis a cinebiografia de Charlie Kaufman:

Quero ser John Malkovich (indicação ao oscar de melhor roteiro)
A Natureza Quase Humana
Confissões de Uma Mente Perigosa
Adaptação (indicação ao oscar de melhor roteiro adaptado)
Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças (vencedor do oscar de melhor roteiro)

O meu prefeiro é "Adaptação". Em meu blog (é tenho um blog, ó ) já escrevi textos sobre esse filme. Nem vou me arriscar a começar aqui, se não essa conversa só acaba no dia do próximo post. Só digo que nunca uma obra teve nome mais coerente. Enfim, assistam HOJE! É serio…

Os outros também são demais. Dá vontade de fazer um post pra cada um. Taí… fica a idéia. Se a preguiça permitir eu ainda lanço a série "Comentando os Filmes do Kaufman".

Bom, estou enrolando isso tudo apenas para dizer que o novo filme do Charlie Kaufman está na programação do FIC Brasília . Ótimo festival que está acontecendo na Academia de Tênis. A obra se chama "Sinédoque, Nova Iorque" e conta a história de um diretor de teatro que resolve construir uma peça sobre a cidade de NY a partir da contrução de um cenário em tamanho real. Precisa responder se já comprei meu ingresso?

A novidade é que, dessa vez, Carlitos dispensou os velhos comparsas e decidiu assumir a direção de seu filme! É a estréia dele nessa função e, com toda certeza, só esse ingrediente já deixa tudo, no mínimo, interessante.

O trailer já é sensacional! E cá estou com a certeza que verei mais um filme fantástico desse cara eu não tenho vergonha de invejar. Juro, queria saber escrever só um pouquinho parecido.

Bom, esse sábado é o grande dia. Prometo voltar aqui, falar mais do filme e comentar minhas impressões. Será que chegou a hora de quebrar a cara com o doutor Kaufman?

Sinceramente, eu duvido muito.

2 respostas para “Uma parte pelo todo”

  1. dandara. disse:

    Lindo!

    Pra mim só falta Sinédoque. É, David, te invejo…

  2. Arthur disse:

    Ainda não vi o filme, mas só de ser escrito pelo Kaufman e ter tido a trilha sonora composta pelo Jon Brion, já tá fazendo valer a pena.

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