Velho Buk
Friday, February 13th, 2009“Não sei quanto às outras pessoas, mas quando me abaixo para colocar os sapatos de manhã, penso, Deus Todo-Poderoso, o que mais agora?”
Charles Bukowski


26/12 - Cansei de Ser Cult #53
Velvet Pub - 102 Norte
10 reais - Entrada gratuita até 22h
Contatos para Show - Juliana Cury
velhos[at]velhoseusados.com
61 7813-8291


“Não sei quanto às outras pessoas, mas quando me abaixo para colocar os sapatos de manhã, penso, Deus Todo-Poderoso, o que mais agora?”
Charles Bukowski
Olá pessoas felizes que aparecem por aqui. 2009 começou (ou será só depois do Carnaval?) e cá estamos de volta com o blog e tudo mais que internet proporciona. Pois vamos ao que interessa! Hoje vou falar de cinema mais um vez e, aviso logo, se você ainda não assistiu ao belo filme "O Curioso Caso de Benjamin Button" e não quiser SPOILERS, pare AGORA de ler este texto! Parou? Ok. Depois não diga que não avisei…
Pois bem…
Basicamente é a história de um garoto com um problema peculiar e dificuldades de andar na infância, crescendo, com sua mãe extremamente doce e amorosa, em uma casa que sempre tem gente indo e vindo. O garotinho se apaixona por uma linda menina de olhos azuis. Eles se tornam melhores amigos e, assim, o tempo e as mais variadas pessoas passam por sua vida. Ele simplesmente vive sem planejar, aceitando o que as experiências de cada dia lhe proporcionam. A garotinha cresce, faz besteiras, mas um belo dia volta aos braços de seu amor. Claro que isso é um resumo rápido e muito raso de uma linda e profunda história. O que posso dizer realmente sobre esse filme é simples e direto: belo filme, belo roteiro, belas atuações, bela direção e mais um monte de belas coisas que poderia listar. Sem dúvida vale a pena, mesmo com suas 2h e 40min de duração, eu nem senti o tempo passar…
Mas o tempo passou. E é justamente disso que trata a película. O tempo. Como ele passa e transforma as vidas, mesmo em contagem regressiva. Benjamim nasce morrendo, com 80 e poucos anos e, assim, vai rejuvenescendo até morrer nascendo, bebezinho.
A mensagem que tirei dessa história, de poesia pura, Cazuza já gritava há mais de 20 anos: o tempo não para. Não para e acaba sendo o mesmo, até para o cara que fica mais jovem todo dia. Voltar o tempo seria suficiente para mudar as coisas, para sofrer menos (ou mais), para fazer diferente? Creio que não. A parábola do relojoeiro, que faz de sua maior obra um relógio que anda para trás, para ver se seu filho, que morreu na guerra, volta para casa, mostra bem essa questão. O filho não volta, o tempo não para e Benjamim não é muito diferente de todos nós. Ora, e o que é velhice se não uma nova infância? Benjamim viveu o que a vida lhe trouxe, sem procurar por nada, apenas deixando-se levar pelo próximo acontecimento. Não precisava se preocupar com a idade, o tempo lhe trazia saúde e, mesmo assim, quando se viu jovem demais, o mundo permanecia estranho e arredio à sua presença. Percebi com esse filme algo já dito e repetido: a idade é relativa. A personagem que muito jovem desiste de atravessar o Canal da Mancha, vive uma vida longa, casa, envelhece e então percebe que ainda pode realizar o antigo sonho. Cada momento do filme nos lembra como temos sorte, simplesmente por estarmos vivos. Não fala sobre destino, mas sim que isso em nada importa quando o que interessa é tratar cada dia como um presente. Afinal, o tempo, realmente não para, seja indo ou vindo.
Eis que o tempo é, também, o ponto que me faz colocar "O Curioso Caso de Benjamin Button" em uma categoria pouco abaixo dos grandes clássicos. Vou explicar…
Vendo o filme com minha digníssima e linda namorada, comentei, assim que acabou a sessão: "caramba como esse filme me lembrou Forrest Gump". Pra quem não sabe (talvez o mundo inteiro) eu sou grandessíssimo fã de Forrest Gump. É, com certeza, meu filme número 1. Linda história, atuações, roteiro, direção etc, etc, etc… Faturou 6 Oscars (filme, ator, diretor, roteiro adaptado, efeitos visuais e montagem) contando a história de um garoto com um problema peculiar e dificuldades de andar na infância, crescendo, com sua mãe extremamente doce e amorosa, em uma casa que sempre tem gente indo e vindo. O garotinho se apaixona por uma linda menina de olhos azuis. Eles se tornam melhores amigos e, assim, o tempo e as mais variadas pessoas passam por sua vida. Ele simplesmente vive sem planejar, aceitando o que as experiências de cada dia lhe proporcionam. A garotinha cresce, faz besteiras, mas um belo dia volta aos braços de seu amor. Claro que isso é um resumo rápido e muito raso de uma linda e profunda história.
Déjà Vu?
Cheguei em casa e googliei "Benjamin Button, roteiro". Eis que, ao ler o nome Eric Roth, descubro o que suspeitei sem nem perceber que suspeitava: é o nome do mesmo roteirista de Forrest Gump! Sim, o premiadíssimo Eric Roth. Um cara que, definitivamente, sabe contar histórias. Mas, na minha humilde opinião, axagerou nas referências de si mesmo.
Benjamin, em meio à sua linda história, é quase um novo (ou velho) Forrest. Aí você diz "Ah, mas ambos são roteiros adaptados, então as cópias (se existirem) foram antes disso tudo". E eu respondo que, tanto o livro Forrest Gump, quanto o conto de Benjamin Button, são bem diferentes do que foi contado em suas versões cinematográficas. O que os iguala não é só a história, mas a narrativa.
Fora a sinopse rasa que escrevi, dá para citar mais alguns pontos parecidos. O narrador em primeira pessoa, a maneira de apresentar certos personagens com historinhas incidentais e engraçadas, o capitão do barco, debochado e bêbado, o medo do personagem em ter um filho com seu mesmo problema, a solidão constante (e final), a passagem por fatos históricos. Enfim, Button e Gump são personagens que vivem o que cada momento lhes apresenta, conhecem pessoas que simplesmente passam por suas vidas lhes deixando lições. Vivem por viver, deixando suas marcas em todos que conhecem (e que os assistem), sem nem perceberem isso.
Mas repito: nada disso faz de "O Curioso Caso de Benjamin Button" um fime ruim. É uma grande obra. Minha crítica fica para o excesso de semelhanças em relaçao à uma obra que, para mim, é inigualável. Creio que se Forrest não existisse, ou se Benjamin tivesse sido feito antes, este seria um clássico ainda maior, com detalhes ainda mais incesquecíveis. Mas o tempo nao quis assim, e, no meu universo de memória cinematográfica, a comparação é inevitável, deixando o filme do doutor Button abaixo do senhor Gump, em vários aspectos. Desde as atuações, basta ver as reações de Tom Hanks e Brad Pitt, quando descobrem que tem filhos saudáveis. A emoção que os personagens de Forrest Gump me passam é mais forte, convincente e real.
E qual o resumo da obra? Ora, vejam os dois! Comprem os dois! E se deliciem com as duas histórias que, apesar das semelhanças, tem suas particularidades, tem lições diferentes, mas tem o mesmo valor para quem procura viver novas sensações ao entrar em uma sala de cinema.
