O Milo Garage recebe nesta quinta (24/07) a quarta e penúltima banda vencedora do concurso TramaVirtual/Peligro. O nome da vez é o
Velhos e Usados, quinteto brasiliense de indie rock “abrasileirado” (eventualmente, sul-americanizado).
Contrariando o nome, o grupo existe desde 2005 e chegou aos ouvidos do grande público através do festival Trama Universitário, que aconteceu no ano posterior à fundação da banda.
Vencer o concurso TramaVirtual/Peligro mostrou mais uma vez que a internet é a amiga número um da banda. O álbum de estréia, Híbrido, lançado neste ano, foi disponibilizado na íntegra na página da banda na TramaVirtual e teve boa aceitação do público. A curiosidade é que o álbum traz uma versão de “O Mundo”, de André Abujamra, que não pôde ser colocada na rede.
Apesar da influência declarada de Wilco e Queens of The Stone Age (veja matéria publicada em março), o Velhos e Usados retrata bem a sonoridade da música indie brasileira atual, passando por guitarras e timbres que às vezes lembram Los Hermanos e letras em português com uma tendência poética e romântica.
A coluna Refletores continua na semana que vem com o grupo paraense Destruidores de Tóquio, que encerra o clico de shows do concurso TramaVirtual/Peligro na quinta (31/07).
O baterista do Velhos e Usados, Marco Pessoa, falou à TramaVirtual.
Qual foi a sensação de ter sido escolhido no concurso?
Foi uma grande surpresa. A própria presença do Velhos entre os dez finalistas veio de surpresa. Acabamos sabendo por fãs da banda que divulgaram o resultado da semi-final na nossa comunidade no Orkut. Como isso já veio meio atrasado em relação ao tempo de votação, saímos divulgando o máximo possível para que as pessoas soubessem do concurso e pudessem votar. Tudo isso aconteceu durante os preparativos do show de lançamento do nosso álbum em Brasília, uma correria. Quando o resultado saiu, estávamos dando uma entrevista numa rádio de Brasília, demos o resultado ao vivo, foi bem bacana.
Que tipo de show podemos esperar na quinta?
O show vai ter algumas faixas do nosso disco, o Híbrido, numa seleção pra esse tipo de show, pequeno, num lugar pequeno e, se possível, com o público bem próximo da banda. E algumas surpresas também, preparem-se.
Vocês já tocaram no (bem em cima do) chão? Gostam da idéia?
Não que eu lembre, pelo menos não desde que eu entrei na banda. Pelo que conversei com o pessoal, acho que também não. Já tocamos bem próximo do chão, mas nunca literalmente no chão. Achamos a idéia muito boa, exatamente por aproximar a banda do público, por ficar uma coisa mais conectada. Deve ser muito bom.
Por que vale a pena ir ao show e escutar as músicas do novo disco?
Ir ao show vale a pena para que o público de São Paulo conheça nosso trabalho. Com o lançamento do disco na internet, já temos alguns fãs na cidade que querem um show do Velhos já há algum tempo. O concurso veio na hora certa pra nós, nesse sentido. Ter uma primeira chance de tocar na cidade num evento já importante no calendário alternativo de Sampa é crucial pra gente.
E escutar as músicas?
Vale a pena pra que se conheça uma banda nova, com uma gravação de qualidade. Para, quem sabe, se identificar com o som da gente, achar que aquele seu amigo também vai gostar, indicar pra ele e esse amigo pra outra pessoa. E por aí vai. Além do quê as músicas são boas pra cacete.
Como a internet tem ajudado o novo disco?
Permitiu que muita gente baixasse, escutasse nossas músicas, distribuísse nossas MP3′s. E é uma forma de divulgação muito barata para qualquer banda. O retorno é rápido, e o público que busca música nova é sedento, pró-ativo. Gerou uma curiosidade pelo produto final, o disco, com encarte, na caixinha, com faixa que não foi lançada na internet (O Mundo, de André Abujamra). Acho que se o trabalho tem qualidade, a coisa flui.
O que de melhor e pior aconteceu com vocês até o momento?
O melhor, sem dúvida, foi ter nosso CD lançado, com o show de lançamento incluído. Foi emocionante na hora de tocar, de subir no palco. De pior? Nada que eu lembre, vou ficar devendo essa.
O rock de vocês poderia ser feito em outro lugar que não o Brasil?
Até poderia, mas com um português muito ruim. Ou um sotaque diferente, no caso de bandas de países de língua portuguesa.
No caso, isso é bom ou ruim?
Seria pelo menos engraçado. Comecei a imaginar aqui as músicas cantadas com sotaque de Portugal…