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    A música como indústria sobrevive?

    Marco Pessoa | 07/10/2009 - 14:31

    Recentemente terminei de ler o livro Appetite for Self-Destruction, sobre o qual já comentei por aqui em outros posts (ver aqui e aqui). Em resumo, ele trata de como a indústria da música não soube aproveitar a mudança de formato de mídia, saindo do CD para arquivos digitais, como oportunidade de negócio.

    Uma mudança de magnitude semelhante foi aproveitada ao extremo com o estabelecimento do CD como mídia principal de venda de música. Fortunas foram gastas em vários pontos da linha de produção musical, com a substituição de fábricas de LP’s por instalações de produção de CD’s, com a mudança de espaço físico em lojas de discos, e dos paradigmas de gravação por meio digital, e até na promoção dos artistas. Com o surgimento do CD, retornos financeiros exorbitantes causaram um boom na indústria musical que durou até o surgimento do mp3, do Napster e da internet banda larga.

    Diante de todas as mudanças ocorridas após o fenômeno Napster, e com a descida de ladeira da indústria musical, fica a pergunta: onde uma banda independente pode se inserir para conseguir espaço nesse universo? Espaço financeiro, que fique claro, por menor que seja. Até Trent Reznor já deu opiniões a respeito do que bandas independentes podem fazer para ganhar espaço de divulgação na rede. De acordo com ele, não há mais dúvida de uma coisa: a música é gratuita, não importa o que eu, você, ou a indústria pensemos. A dica dele: disponibilize suas músicas, de graça, em alta qualidade. É melhor que você faça isso pro seu público, e não alguma outra pessoa que não se preocupe com a qualidade do seu material.

    E a grana? Ofereça produtos especiais, com bônus, mega-encartes, edições especiais, a preços que justifiquem tal produto especial. O próprio Nine-Inch Nails faz isso, ou o Beastie Boys. Lá fora, e por aqui também, já é possível que bandas independentes vendam seus arquivos digitais, seja na iTunes store, ou na Amazon, ou em vários outros serviços legais de venda de arquivos digitais. Mesmo que suas faixas estejam disponíveis gratuitamente, há pessoas lá fora que têm o hábito de comprar faixas digitais, assim como tinham o hábito de comprar CD’s. Mas ainda fica a dúvida: uma banda nova, lutando por divulgação, pode fazer uso de uma estratégia semelhante e conseguir o mesmo retorno financeiro? Existe saída?

    Há a sugestão da banda como empresa, tendo como objetivo principal a venda do show como produto, atrelando a venda de CD’s aos eventos. O CD, juntamente de camisetas, bótons, bonés, e brindes, seria um produto secundário da banda, vendido nos shows a quem ficar impressionado e interessado com a apresentação da banda. Tal modelo é muito bem destrinchado no trabalho “Música Ltda.”, do Leonardo Santos Salazar, pela UFPE, que apresenta um plano de negócios para um empreendimento cultural no formato de banda.

    A empresa exemplificada é uma banda de covers de MPB, que conseguiria vender seu show a eventos bem diferentes daqueles do circuito do rock independente. Apesar do excelente trabalho, me ficou a pergunta de como adequar isso a uma banda de rock autoral, em uma cidade com escassa estrutura de eventos que pagam cachês fixos a bandas independentes. Pra quem quiser saber como anda esse espaço em Brasília, sugiro o trabalho de conclusão de curso da Nina Puglia, pela Geografia da UnB (Análise espacial do mercado de música do Distrito Federal), que vai virar dissertação de mestrado em uma versão ampliada.

    Uma pesquisa da empresa Forrester, especializada em pesquisa de mercado, sugere uma revisão radical na indústria para que ela sobreviva, atendendo às necessidades do consumidor ouvinte. Isso incluiria uma experiência única, personalizada, que inclui letras, vídeos de shows sob demanda, fotos, chat com outros ouvintes da mesma banda, streaming de audio e vídeo, e até direitos de realizarem mash-ups com as faixas de seus artistas favoritos. Em resumo: consumidores querem conteúdo que eles possam personalizar e compartilhar com amigos. Um exemplo de plataforma nessa linha pode ser visto aqui.

    Deixo por aqui mais perguntas que respostas, com a certeza de que há muito acontecendo, e de que nesse caminho só não se pode ficar parado.

    2 respostas para “A música como indústria sobrevive?”

    1. Kelton Gomes disse:

      Marco, você tem essa dissertação do Leonardo em formato digital? Se tiver, me passa!

      []’s

    2. Joice disse:

      Cheguei aqui porque vi o show da Radioteque ontem, foi demais. Acho que além de tudo, é um ótimo canal para vcs promoverem os trabalhos autorais de vcs.
      Estou baixando o disco da V.U. e, sem nem ter ouvido a banda ainda, já achei a camiseta e a capa do disco lindas. Será que a música “paga” pode sobreviver vendendo merchandising? Espero que ajude.
      Thom Yorke disse que essa é a era das músicas singles, e que ele não planeja fazer um álbum tão cedo. Espero que isso não seja verdade, pq quando ouço In Rainbows, eu quero álbuns e mais álbuns como esse, tão perfeitos… músicas soltas não têm tanta graça.

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